Mostrando postagens com marcador Virginia Woolf. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Virginia Woolf. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de novembro de 2013

"Eu escolhi a vida": As Horas, Mrs. Dalloway e o jogo entre a vida e a morte



Virginia Woolf, umas das integrantes com maior destaque no Bloomsbury Group, formado por sua irmã Vanessa Stephen, o irmão Adrian, além de  críticos de arte,  pintores e intelectuais  como Clive Bell, Roger Fry – que biografaria em 1940 -, Lytton Stratchey, E. M. Foster e Leornard Woolf, revolucionou a escrita modernista e tem seu nome evidenciado ao lado de Joyce e Proust.
Dona de uma escrita peculiar e jamais superada, como assinala Bloom, Woolf não tem concorrentes entre as romancistas, mesmo meio século após sua morte. Entre suas obras mais famosas – além da que será tema principal nessa comunicação - poderíamos citar Orlando (1928), As ondas (1931), e Entre os atos – no qual podemos ver as claras influências de Shakespeare – publicado postumamente, após seu suicídio em 1941. Difícil seria escolher uma obra, todas são igualmente insuperáveis.
Após inúmeras crises de depressão, Virginia encheu o bolso de pedras e se afundou nas águas do Rio Ouse deixando ao marido uma famosa carta que dizia que suas crises haviam aumentado e não conseguia mais se concentrar sequer para escrever. Blanchot nos lembra de quando o demônio interpelou o jovem Goethe imediatamente quando começou a escrita, afirmando que o escritor é submetido a uma vergonha prévia sempre esperando o que dirão a crítica e seus amigos. Em O livro por vir, afirma:
“Compreendemos melhor, agora, as palavras do jovem Goethe: ‘Para mim não há chance de acabar bem’, certeza que o acompanha durante toda a sua juventude, até o dia em que descobre a potência demoníaca cujo acordo deve protegê-lo, pensa ele, contra o medo de se perder. Essa potência  o protegeu, de fato, mas começou então a infidelidade a ele mesmo, e a gloriosa decadência  à qual Virginia Woolf preferiu escapar afundando.” (BLANCHOT, 2005: 151-152)

Sem mais solilóquio, dando continuidade ao segundo semestre desse ano “Novas histórias, do fio ao fim: tessituras da morte nas tramas literárias” contaremos agora com a presença da Professora Priscila Piazentini Vieira com a comunicação intitulada "Eu escolhi a vida": As Horas, Mrs. Dalloway e o jogo entre a vida e a morte.
O link com o livro pode ser acessado aqui, e caso você ainda não tenha visto o trailer do filme dirigido por Stephen Daldry é só clicar. Vale lembrar que o filme conta com a participação de Nicole Kidman – interpretação que deu a ela o Oscar de Melhor Atriz (2003) – como Virginia Woolf, além de Meryl Streep como Clarissa Vaughn, e Julianne Moore  como Laura Brown; e foi baseado no livro de Michael Cunningham. E aí, vai perder?

19 de novembro, terça-feira

14:00, sala 1H55, Bloco H! 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cronograma 2º Semestre/ 2013


Clique e saiba mais.

Novas histórias: do fio ao fim

Tessituras da morte nas tramas literárias

DATA
HORA -
LOCAL
OBRA
PALESTRANTES
COMUNICAÇÃO


19 de Novembro

14:00

1H55

filme: As Horas



"Eu escolhi a vida": As Horas, Mrs. Dalloway e o jogo entre a vida e a morte.

03 de Dezembro
14:00

1H55



Surrealismo e História: transformação do amor e modificação da morte em A espuma dos dias








Novas histórias: do fio ao fim

Tessituras da morte nas tramas literárias



“O que seria da vida se não existisse a morte?”, essa é a pergunta que se faz o personagem fictício que consegue o feitio de abolir a morte, em A desintegração da morte, livro de Orígenes Lessa. Virginia Woolf talvez não procurasse uma resposta para essa pergunta [será?]. Ao encher os bolsos do casaco de pedras e se jogar nas águas do Rio Ouse, em 1941, Virginia decide morrer. Deixa ao marido a famosa carta:

“Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer.”

Talvez os personagens do livro surrealista de Boris Vian, A espuma dos dias, teriam aceitado a cura para a morte com contentamento. Não seria nenhum spoiler dizer que Chloé, pouco depois de se casar com Colin, descobre a existência de um nenúfar – sim, uma flor de lótus -, em seu pulmão e fenece. Em conversa com o Religioso para os encaminhamentos do velório – num cemitério dentro d’água – Colin duvida mesmo do poder de Deus.


“- Não... - disse Colin. - Posso chegar a cem se o senhor aceitar ser pago em várias vezes. Será que o senhor se dá conta do que é dizer 'A Chloé morreu'?
- O senhor sabe - disse o Religioso, estou acostumado, então isso não faz mais efeito em mim. Eu deveria lhe aconselhar a se dirigir a Deus, mas penso que, com uma soma tão fraca, talvez seja melhor não incomodá-lo.
- Oh! - disse Colin. - Não vou incomodá-lo. Não acredito que ele seja capaz de muita coisa, porque, veja só, a Chloé morreu.”

Virginia entrega seu corpo às águas do rio, assim como Chloé é enterrada em um cemitério dentro d’água. Teria Lettes, o rio do esquecimento, a mesma imagem não negativa ou funesta dos primórdios da mitologia? Talvez.

Noutro ponto, podemos ser levados ao personagem de Dostoiévski tão conhecido de muitos, o Homem do subsolo, o típico pessimista vivendo em seu “buraco”. E já que a deixa permitiu, aqui no Brasil temos um conto bem próximo, “O buraco” de Luiz Vilela. Renunciaram à vida? Talvez. Agarraram-se demasiadamente a ela? Quem sabe...

E para finalizar, porque não a junção de duas obras de lá e de cá do oceano? Intermitências da Morte, de José Saramago, e A desintegração da morte, de Orígenes Lessa, vão quase pelo mesmo percurso que tentamos traçar aqui... fica a epígrafe do primeiro, já que antecipamos  um trecho do segundo:

Pensa por ex. mais na morte, - & seria estranho em verdade
que não tivesse de conhecer por esse facto novas representações, novos âmbitos da linguagem.
Wittgenstem

Que a morte seja algo que só se realiza na linguagem não podemos afirmar. Mas é fato que quando falamos dela, quase sempre falamos daquilo que conhecemos indiretamente. E esta não é a questão ontológica que tanto significado tem tido para as relações atuais entre História e Literatura?