Mostrando postagens com marcador Virginia Woolf. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Virginia Woolf. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
"Eu escolhi a vida": As Horas, Mrs. Dalloway e o jogo entre a vida e a morte
Virginia Woolf, umas das integrantes com maior
destaque no Bloomsbury Group, formado
por sua irmã Vanessa Stephen, o irmão Adrian, além de críticos de arte, pintores e intelectuais como Clive Bell, Roger Fry – que biografaria em 1940 -,
Lytton Stratchey, E. M. Foster e Leornard Woolf, revolucionou a escrita
modernista e tem seu nome evidenciado ao lado de Joyce e Proust.
Dona de uma escrita peculiar e jamais superada, como
assinala Bloom, Woolf não tem concorrentes entre as romancistas, mesmo meio
século após sua morte. Entre suas obras mais famosas – além da que será tema
principal nessa comunicação - poderíamos citar Orlando (1928), As ondas (1931),
e Entre os atos – no qual podemos ver
as claras influências de Shakespeare – publicado postumamente, após seu suicídio
em 1941. Difícil seria escolher uma obra, todas são igualmente insuperáveis.
Após inúmeras crises de depressão, Virginia encheu o
bolso de pedras e se afundou nas águas do Rio Ouse deixando ao marido uma
famosa carta que dizia que suas crises haviam aumentado e não conseguia mais se
concentrar sequer para escrever. Blanchot nos lembra de quando o demônio
interpelou o jovem Goethe imediatamente quando começou a escrita, afirmando que
o escritor é submetido a uma vergonha prévia sempre esperando o que dirão a
crítica e seus amigos. Em O livro por
vir, afirma:
“Compreendemos
melhor, agora, as palavras do jovem Goethe: ‘Para mim não há chance de acabar
bem’, certeza que o acompanha durante toda a sua juventude, até o dia em que
descobre a potência demoníaca cujo acordo deve protegê-lo, pensa ele, contra o
medo de se perder. Essa potência o
protegeu, de fato, mas começou então a infidelidade a ele mesmo, e a gloriosa
decadência à qual Virginia Woolf
preferiu escapar afundando.” (BLANCHOT, 2005: 151-152)
Sem mais solilóquio, dando continuidade ao segundo
semestre desse ano “Novas histórias, do fio ao fim: tessituras da morte nas
tramas literárias” contaremos agora com a presença da Professora Priscila
Piazentini Vieira com a comunicação intitulada "Eu
escolhi a vida": As Horas, Mrs. Dalloway e o jogo entre a vida e a morte.
O link com o livro pode ser
acessado aqui, e caso você ainda não tenha visto o trailer do filme dirigido
por Stephen Daldry é só clicar.
Vale lembrar que o filme conta com a participação de Nicole Kidman –
interpretação que deu a ela o Oscar de Melhor Atriz (2003) – como Virginia
Woolf, além de Meryl Streep como Clarissa Vaughn, e Julianne
Moore como Laura Brown; e foi
baseado no livro de Michael Cunningham. E aí, vai perder?
19 de novembro, terça-feira
14:00, sala 1H55, Bloco H!
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Cronograma 2º Semestre/ 2013
Novas histórias: do fio ao fim
Tessituras da morte nas tramas literárias
DATA |
HORA -
LOCAL |
OBRA
|
PALESTRANTES
|
COMUNICAÇÃO
|
19 de Novembro |
14:00 1H55 |
livro: Mrs. Dalloway
filme:
As Horas
|
"Eu escolhi a vida": As Horas, Mrs. Dalloway e o jogo entre a vida e a morte.
|
|
03 de Dezembro |
14:00
1H55 |
Surrealismo e História: transformação do amor e modificação da morte em A espuma dos dias | ||
Novas histórias: do fio ao fim
Tessituras da morte nas tramas literárias
“O que seria da vida se não existisse a morte?”, essa é a
pergunta que se faz o personagem fictício que consegue o feitio de abolir a
morte, em A desintegração da morte,
livro de Orígenes Lessa. Virginia Woolf talvez não procurasse uma resposta para
essa pergunta [será?]. Ao encher os bolsos do casaco de pedras e se jogar nas
águas do Rio Ouse, em 1941, Virginia decide morrer. Deixa ao marido a famosa
carta:
“Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer.”
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer.”
Talvez os personagens do livro surrealista de Boris Vian, A espuma
dos dias, teriam aceitado a cura para a morte com contentamento. Não seria
nenhum spoiler dizer que Chloé, pouco depois de se casar com Colin, descobre a
existência de um nenúfar – sim, uma flor de lótus -, em seu pulmão e fenece. Em
conversa com o Religioso para os encaminhamentos do velório – num cemitério
dentro d’água – Colin duvida mesmo do poder de Deus.
“- Não... - disse Colin. - Posso chegar a cem se o
senhor aceitar ser pago em várias vezes. Será que o senhor se dá conta do que é
dizer 'A Chloé morreu'?
- O senhor sabe - disse o Religioso, estou acostumado, então isso não faz mais efeito em mim. Eu deveria lhe aconselhar a se dirigir a Deus, mas penso que, com uma soma tão fraca, talvez seja melhor não incomodá-lo.
- Oh! - disse Colin. - Não vou incomodá-lo. Não acredito que ele seja capaz de muita coisa, porque, veja só, a Chloé morreu.”
- O senhor sabe - disse o Religioso, estou acostumado, então isso não faz mais efeito em mim. Eu deveria lhe aconselhar a se dirigir a Deus, mas penso que, com uma soma tão fraca, talvez seja melhor não incomodá-lo.
- Oh! - disse Colin. - Não vou incomodá-lo. Não acredito que ele seja capaz de muita coisa, porque, veja só, a Chloé morreu.”
Virginia entrega seu corpo às águas do rio, assim como Chloé é
enterrada em um cemitério dentro d’água. Teria Lettes, o rio do
esquecimento, a mesma imagem não negativa ou funesta dos primórdios da
mitologia? Talvez.
Noutro ponto, podemos ser levados ao personagem de Dostoiévski tão
conhecido de muitos, o Homem do subsolo, o típico pessimista vivendo em seu
“buraco”. E já que a deixa permitiu, aqui no Brasil temos um conto bem próximo,
“O buraco” de Luiz Vilela. Renunciaram à vida? Talvez. Agarraram-se
demasiadamente a ela? Quem sabe...
E para finalizar, porque não a junção de duas obras de lá e de cá do
oceano? Intermitências da Morte, de José Saramago, e A desintegração
da morte, de Orígenes Lessa, vão quase pelo mesmo percurso que tentamos traçar aqui... fica a epígrafe do primeiro,
já que antecipamos um trecho do segundo:
Pensa
por ex. mais na morte, - & seria estranho em verdade
que
não tivesse de conhecer por esse facto novas representações, novos âmbitos da
linguagem.
Wittgenstem
Que a morte seja
algo que só se realiza na linguagem não podemos afirmar. Mas é fato que quando
falamos dela, quase sempre falamos daquilo que conhecemos indiretamente. E esta
não é a questão ontológica que tanto significado tem tido para as relações
atuais entre História e Literatura?
Assinar:
Postagens (Atom)

